Reciclagem: Separação automática de lixo facilita e aumenta eficiência das operações

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 Um grande gargalo emperra o crescimento da indústria de reciclagem de plásticos pós-consumo no Brasil. Como a coleta seletiva ainda se encontra em fase incipiente na grande maioria dos municípios brasileiros, a triagem dos resíduos urbanos se torna de difícil realização. Para piorar, as empresas responsáveis pela separação dos materiais recicláveis dos orgânicos, por aqui, quase sempre realizam a tarefa com métodos bastante rudimentares. Muitas etapas são feitas com processos manuais, de baixa produtividade e que comprometem a qualidade final do material recuperado. Em paralelo, o processo manual, também muito adotado para a triagem dos fardos de materiais plásticos adquiridos de fornecedores pelas empresas que produzem a matéria-prima reciclada, também dificulta o desempenho do setor como um todo.

Diante desse cenário, fornecedores de equipamentos voltados para facilitar a separação dos resíduos, tanto os urbanos quanto os pré-selecionados, apostam no grande potencial de mercado existente por aqui. Os argumentos de vendas dessas empresas se baseiam no rápido retorno proporcionado pelas suas máquinas. Os motivos para o otimismo dessas empresas são reforçados pelo grande aumento no número de consultas nos últimos meses. E a procura deve ganhar mais impulso. Com a promulgação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos, a utilização desse tipo de equipamentos, hoje ainda muito pequena por aqui, deve crescer muito nos próximos anos.

Uma das empresas de olho nesse mercado é a Amut-Wortex, fruto da parceria da brasileira Wortex, fabricante de equipamentos localizada em Campinas-SP, com a congênere italiana Amut. Para o filão de reciclagem, ela oferece sistemas completos voltados para operar desde a separação de materiais de coleta seletiva, filmes plásticos, perfis diversos, entre outros materiais que podem ser reciclados. Na área de separação de materiais, oferece das máquinas capazes de efetuar a operação desde a ruptura dos sacos de lixo até o enfardamento dos materiais separados. Todos os equipamentos são construídos no Brasil. “O potencial desse nicho de mercado é gigantesco”, atesta o diretor Paolo De Filippis.

A norueguesa Tomra, com fábrica na Alemanha, está presente em oitenta países. Ela fabrica leitores ópticos, equipamentos complementares aos oferecidos pela Amut-Wortex. Os leitores foram desenvolvidos para separar itens de tamanho grande, tais como potes, garrafas, entre outros. Eles selecionam desde as diferentes resinas até a cor dos resíduos.


ESQUEMA RESUME TRIAGEM POR ESPECTROMETRIA

 


A Tomra começou a prospectar o mercado brasileiro em 2009 e abriu escritório próprio de representação em 2011. “Acreditamos que em cinco anos o Brasil fique entre os cinco de nossos principais mercados”, avalia Henrique Augusto Filgueiras, diretor comercial. Hoje a empresa tem 16 equipamentos vendidos e mais de 150 prospecções por aqui. “Estimamos chegar aos 400 equipamentos vendidos em cinco anos”, diz Carina Arita, diretora geral.


Separação dos plásticos é feita em milionésimos de segundo

 


Sistemas de triagem – Hoje, os sistemas de triagem no Brasil, tanto nas empresas que fazem operações com resíduos urbanos quanto nas que operam com materiais já pré-selecionados, têm funcionamento bastante primitivo na grande maioria das vezes. No caso dos resíduos urbanos, primeiro é feita uma pré-seleção na qual são retirados objetos grandes e irrecuperáveis – como sofás, eletrodomésticos e outros.

O lixo, em seguida, é retirado dos sacos e encaminhado manualmente para esteiras. Outros colaboradores, postados ao lado das esteiras, ficam de olho no material que passa e “pescam” os itens reaproveitáveis. “Por maior que seja o número de pessoas trabalhando nas esteiras, é impossível recolher de forma produtiva o material que pode ser reciclado, há muito desperdício”, explica De Filippis. Além das perdas econômicas, esse material é destinado aos aterros sanitários ou lixões, causando problemas ambientais.

Para essas operações, a Amut-Wortex oferece equipamentos voltados para separar de 100 a mil toneladas de lixo por dia. Entre as linhas disponíveis, as mais simples contam com sistema rasga-sacos e duas esteiras. Pelo sistema, a triagem de itens não aproveitáveis também é manual. Depois os sacos são rasgados pelo equipamento e, por meio de uma esteira, encaminhados para uma (ou duas, conforme o caso) peneira rotatória, onde ocorre uma pré-limpeza. “Essa etapa visa eliminar lixo orgânico, retirar pedras, terra, cacos de vidro e outros resíduos”. Em seguida, o material é encaminhado para outra esteira, onde os funcionários podem realizar a triagem manual de maneira mais eficaz.

Existem dois outros sistemas com mais tecnologia agregada para realizar essa operação, o tronel e o balístico. “No Brasil, nós recomendamos usar o tronel, pois o lixo aqui é mais sujo. Na Europa, onde o lixo é mais limpo, o sistema balístico é o mais utilizado”. Vale lembrar que os resíduos urbanos no Brasil contém em torno de 50% a 55% de materiais orgânicos, número bastante elevado em relação ao dos países onde a coleta seletiva está mais avançada.

Pelo sistema tronel, os resíduos são encaminhados pelo rasga-saco por uma esteira a uma peneira rotatória com funcionamento sofisticado. Ela consegue separar os resíduos de duas dimensões, como papéis, papelões e sacos de plástico, dos de três dimensões, caso das garrafas, latas e outros. Os de duas dimensões são encaminhados para uma esteira e prensados em fardos por um equipamento.

Os de três dimensões passam por um removedor de materiais metálicos, que opera mediante atração magnética. Retirados, os itens metálicos são encaminhados para um equipamento no qual são enfardados. Sobram os plásticos, direcionados para outra esteira, ao fim da qual também são transformados em fardos. O sistema balístico é semelhante. As diferenças ficam por conta do sistema de filtragem adotado.

Fora do âmbito dos serviços voltados para resíduos urbanos, nas empresas de reciclagem, o processo começa a partir da recepção dos fardos. “Nesses fardos, no caso dos plásticos, é comum matérias-primas virem misturadas, caso, por exemplo, do polietileno com polipropileno”. O sistema tronel também pode ser adotado nessa situação. A empresa fornece equipamentos similares, adaptados ao porte e tipo de serviço do cliente.


Rompe-sacos auxilia etapas iniciais das linhas de reciclagem


A Amut-Wortex vendeu sua primeira linha de triagem de resíduos urbanos para a prefeitura de São José dos Campos-SP. O equipamento tinha data prevista de início de operação para o início de agosto. “A meta é aumentar de 70% a 100% a eficiência do serviço da cidade. O volume tratado deve crescer das de 60 a 80 toneladas por dia hoje para em torno de 120 toneladas”, estima De Filippis. Os negócios devem ser “vitaminados” em curto e médio prazo. “Temos recebido consultas de várias outras prefeituras”. Para os fabricantes de matéria-prima reciclada, foram vendidos em torno de dez linhas de máquinas. “A procura por parte dessas empresas também tem sido grande”.

Conceitos quânticos – Os sensores ópticos fabricados pela Tomra funcionam a partir de conceitos quânticos. No caso da identificação dos diferentes tipos de plásticos, o equipamento possui sensor de espectrometria de infravermelho. A identificação e separação ocorrem em apenas um milionésimo de segundo. Para diferenciar os materiais, a máquina escaneia e lê os elétrons dos itens que passam pela esteira próxima onde ele está instalado. Os elétrons são, em uma definição bem simplista, as impressões digitais de cada tipo de material. “Para esse tipo de operação, nosso equipamento mais indicado é o Autosort 4”, revela Carina.

Depois de identificar as diferentes resinas (polietileno, polipropileno, PET e outras), o equipamento “atira” as peças de cada material para diferentes recipientes. Conforme a necessidade, o usuário pode adquirir equipamento capaz de separar materiais transparentes dos coloridos. Em casos específicos, por determinadas cores. “Essa possibilidade é útil, por exemplo, para empresas especializadas na reciclagem de garrafas PET. As garrafas verdes e brancas podem ser separadas com facilidade”.

“De acordo com a característica da empresa, os leitores ópticos devem ser instalados em diferentes momentos”, explica Carina. Para plantas de recuperação de resíduos urbanos que operam com equipamentos dos sistemas tronel ou balístico, os leitores ópticos devem ser instalados na fase final da operação. No caso da separação dos plásticos, por exemplo, depois da etapa de retirada dos elementos metálicos. Já nas empresas dos recicladores, que vão tratar os fardos recebidos de seus fornecedores, eles devem trabalhar no início da linha de produção.

“Para nós, tanto o mercado de tratamento de resíduos sólidos quanto o de empresas de reciclagem são muito promissores. Acredito que nos próximos anos as vendas para os dois nichos serão divididas meio a meio”, explica Filgueiras. A principal diferença entre os diferentes tipos de plantas, na maioria dos casos, se encontra no volume a ser tratado.

No caso dos resíduos sólidos, feito por prefeituras ou empresas licitadas pelo poder público, as quantidades de resíduos são muito maiores. “Vendemos várias unidades para cada planta, de acordo com a necessidade”. Como envolve verbas públicas, o processo das vendas é mais lento, está associado às leis que regem a operação.

No caso das empresas recicladoras, o número de máquinas vendidas é menor. “Um ou dois por empresa”, calcula o diretor comercial. Em compensação, o negócio é fechado de maneira bem mais rápida. “O equipamento custa em torno de R$ 500 mil e se paga em dois anos”, garante o gerente comercial.

 

Por: Jose Paulo Sant Anna

Fonte: www.plastico.com.br

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